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15/05/2013 - 12:07 Imprimir a not�cia
Saudao aos Gregos
Marcos Rolim*
E-mail: marcos@rolim.com.br


A sociedade que temos, assim como todas as demais, uma criao histrica. Nossas regras de convivncia, as instituies, o mercado e as leis, o poder e a resistncia ao poder, tudo isto construo humana.A democracia esta ideia radical segundo a qual possvel um espao pblico onde as questes que interessam a todos sejam objeto de debate foi inventada pelos gregos quando eles perceberam que a ordem social no era criada pelos deuses. Neste momento, acabaram com o destino e inauguraram a liberdade poltica.Nas ltimas semanas, Porto Alegre foi invadida por jovens gregos sados sabe-se l de onde. Aos milhares, eles se reuniram no espao pblico para protestar contra o aumento das tarifas do transporte coletivo. E cantaram e pularam e encheram as ruas de palavras de ordem e de alegria. No comeo, houve quem, esgueirando-se em meio aos gregos, atentasse contra o patrimnio pblico. Persas infiltrados, talvez; herdeiros atormentados de Xerxes vidos por uma revanche de Salamina, quem pode saber? O importante que os gregos venceram e encantaram Porto Alegre. Na manifestao da ltima quinta-feira, foram novamente milhares de jovens, desta vez debaixo de chuva. Por onde passavam, eram aplaudidos. Das janelas dos edifcios e das paradas de nibus, todos os saudavam. Os gregos haviam voltado para as ruas e os trabalhadores perceberam que aquela luta era tambm a sua luta. Desde as manifestaes em favor do impeachment de Collor, h mais de 20 anos, no se via tantos jovens mobilizados em torno de uma reivindicao poltica. O que se viu em Porto Alegre no cabe, entretanto, nos formatos do passado. frente destes jovens no h uma organizao tradicional, nem lideranas como antes. O movimento que eles montaram se convoca pelo facebook e os que protestam se renem como as ondas e as primaveras. As bandeiras de partidos que aparecem aqui e ali no traduzem ou representam o movimento. H, disseminada entre os jovens, a convico de que ningum fala em seu nome. O ativismo que eles desempenham autoral e se reconhece em sua diversidade. Os protestos, de qualquer maneira, possuem um significado histrico. O movimento estudantil foi retomado e h um protagonismo que emerge das ruas. Ele est nas faces iluminadas de meninos e meninas que sonham com a justia e que esto dispostos a mudar as coisas.As coisas, sabemos, so muito fortes. Ainda mais fortes quando se acredita que no podem ser mudadas. Os conservadores de todos os perfis se dedicam a desqualificar os que lutam, porque querem que as pessoas tenham um destino. Para eles, o destino a ordem. No a ordem democrtica, fundada no dissenso, mas a ordem da caserna, do sim senhor, do isto sempre foi assim, definida pelo deus mercado. Por isso, para eles, tudo o que desafia o mesmo baderna. O que nossos gregos fizeram foi mostrar que as coisas podem ser mudadas. Fizeram mais: mostraram que a poltica completamente outra quando as praas esto repletas de sonhos e que a justia diferente diante de um povo de cabea erguida.


* Jornalista e socilogo, professor da Ctedra de Direitos Humanos do IPA e consultor em segurana pblica e direitos humanos. Ex-presidente da Comisso de Direitos Humanos da Cmara dos Deputados.

Site: http://www.rolim.com.br