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09/03/2013 - 15:32 Imprimir a not�cia
RESULTADO PARADOXAL
Marlos Rolim*


Depois que o PT foi colocado no banco dos rus, aumentou muito o nmero de pessoas ticas no Brasil. Ironias parte, uma pena que um partido criado nas lutas populares e em torno de uma promessa transformadora tenha se tornado refm de estratgia delinquente definida por to poucos. pattico que, aps este processo, seus dirigentes sigam oferecendo declaraes diversionistas e encomendando panos quentes, enquanto mfias proliferam em seus quintais. Quando o PT fez a opo de no cortar na prpria pele, sabia que o preo seria pago em doses de cinismo. Os que assim se comportaram so coautores de fraude contra os sonhos de uma gerao. Por este crime, pelo menos, no podem ser punidos, nem perdoados. Por outro lado, impressiona a disposio pela execuo sumria. Seria at compreensvel que os partidos de oposio respondessem assim, tendo em conta a intolerncia do PT na poca em que se imaginava o sal da terra. O problema que h um discurso que unifica o iderio mais conservador e parte dos comentaristas em favor do emburrecimento. Trata-se, alis, de simbiose cultural e ideolgica e no de estratgia golpista. Este acasalamento antijornalismo aparece em pressupostos como: a) polticos so, por princpio, culpados e, se forem do PT, so mais culpados; b) o Estado inoperante por definio e quando auxilia os pobres populista; c) presuno de inocncia, ampla defesa, privacidade e preservao da imagem so formalidades que atrapalham; e) o problema da segurana pblica no Brasil a impunidade e esta se resolve com leis mais duras e no com provas mais consistentes e, d) a regulao da comunicao social um atentado liberdade de expresso; se o tema for proposto pelo PT, prenncio da ditadura do proletariado. A cobertura do julgamento do mensalo evidenciou simplificaes do tipo. Primeiro, houve grande presso da mdia por um julgamento efetivo, de natureza tcnica e no poltica (outra das polarizaes infantis que sobrevivem graas irreflexo). No Brasil, a efetividade de um julgamento tomada como o equivalente condenao. No se cogita que julgamento efetivo seja aquele que produz justia. Entre ns, o acusador a encarnao do bem, enquanto a defesa desprezada como empecilho. S por isso, Joaquim Barbosa nosso Eliot Ness e Levandowski, o reflexo do Tinhoso. O mensalo foi apresentado como o maior escndalo de corrupo da histria, o que, a despeito da sua gravidade, obviamente nunca foi. Depois, no se considerou preocupante que algumas condenaes tenham dispensado a chamada prova robusta; nem que certas penas tenham sido claramente desproporcionais. O resultado foi saudado como prenncio de um novo tempo em editoriais que lembram as orientaes do Dr. Pangloss, clebre personagem de Voltaire. Muito antes disto, entretanto, ele se revela paradoxal. Por um lado, importante que a Justia puna poderosos - ao invs de apenas responder aos crimes da marginalizao social. Por outro, ameaador que o faa com base no argumento s pode ser e em um clima poltico que lembra mais os nimos de um grenal do que a disposio de busca pela verdade.

* Direitos Humanos e Segurana Pblica Consultoria