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01/04/2013 - 17:12 Imprimir a not�cia
Dona Ins sobrevive cirurgia e apresenta diagnstico de cura
Charles Scholl
Dona Ins sobrevive  cirurgia e apresenta diagnstico de cura


Na sexta-feira, dia 14 de setembro, pela manh, nos reunimos com a equipe mdica para a primeira reviso depois de ter ido para casa. Ela passara dias internada no sexto andar do Hospital So Lucas, da Puc, em Porto Alegre, para se recuperar daquela enorme cirurgia em seu abdmen. Aps longa caminhada estvamos tensos em relao continuidade do tratamento, quando o Dr. Ricardo Breigeiron esboou uma expresso diferente. Ele se tornou uma pessoa muito especial para ns. Todas nossas expectativas partiam de suas posies, de suas palavras, de seu entendimento e de sua estratgia para vencer o cncer que diagnosticamos nela este ano. Todos os outros mdicos que a viam se reportavam a ele. De imediato senti um pavor por no ter entendido aquela expresso. Queria saber da continuidade do tratamento e dava para ver nos olhos do Dr. Ricardo que o tratamento tinha chegado ao fim. Todas as possibilidades passaram em minha cabea, em frao de segundos, menos aquela que seria verdadeira. Realmente o tratamento terminou, disse ele. Completou informando o resultado da biopsia que apontava a ausncia do cncer. Naquele momento podamos dizer que a Dona Ins est curada.
Sem saber como reagir, por no acreditar naquela notcia inesperada, nos olhamos e vi a Dona Ins inerte. Eu a trato com toda a formalidade e respeito pela sua histria de vida, que nos orgulha tanto. Em seguida vi naquela mulher minha me, seus olhos marejados com uma expresso mista de espanto e encanto. Seus lbios comearam a tremer lentamente e sua boca esboava uma expresso que lembrava um sorriso, mas que acontecia naquele momento de lgrimas. Um choro alegre que no resisti e compartilhei. Sem qualquer constrangimento por estar reagindo daquela maneira diante de pessoas to importantes para ns. Quando olhei para frente percebi que a vitria da vida emociona at mesmo os profissionais mais experientes. Devemos a vida para eles. isso que passou na minha cabea naquele momento. Afinal de contas, minha me foi a nica sobrevivente da nossa famlia, que tem esse problema gentico que se manifesta em determinado momento da vida.
Esse momento mgico que jamais ser esquecido por ns, marca um novo aniversrio para Dona Ins. Ainda fragilizada pela violncia que a interveno cirrgica representou ao seu organismo, vive um momento de recuperao, que bem diferente de viver doente. Essa recuperao pode durar meses, mas uma recuperao e no uma doena e isso muda tudo. Mas, algumas mudanas so mais aparentes por ficarem na vitrine social dos nossos hbitos cotidianos. Quando nos lembramos da Dona Ins, sem medo de errar podemos compor nessa imagem mental brincos grandes e coloridos, cabelos louros, calas, uma blusa leve e um perfume que marca o ambiente. Junto com os adereos e acessrios que enfeitam seus dedos, pescoo, orelhas, tornozelos e pulsos, est o cigarro aceso em sua mo. Justamente essa cena que vai mudar em nossa cidade. Alm da cura do cncer, a Dona Ins est no caminho da cura do vcio do tabagismo. Esse um vcio como qualquer outro, que precisa ser tratado como um problema de sade, j que o tabagismo por si uma doena.
Estamos todos confiantes nessa cura tambm e me sinto muito tranquilo em falar do assunto, j que faz um ano que parei de fumar. Dona Ins encontrou foras para superar tudo isso. Sou testemunha de como foi difcil trilhar esse caminho. Lembrava o tempo todo de Fernando Pessoa. Temos que construir o barco navegando. Ao tempo que se recuperava da cirurgia, que lhe custou uma fenda que cruzava verticalmente todo seu abdmen, vivia o perodo de desintoxicao do cigarro que fumara a vida toda. Naquele estado, tossir no uma tarefa fcil. Depois toda nossa preocupao passava em torno da possibilidade do desenvolvimento de uma pneumonia. Eu tive trs pneumonias que se sucederam no perodo imediato que deixei o hbito de fumar. Sabia que isso poderia acontecer com ela. Toda a secreo, que no pouca, se acumula nas paredes do pulmo e o organismo no tem tempo de absorver essa funo biolgica. Tal situao cria um ambiente propcio para o desenvolvimento de processos virais e bacterianos. Com o organismo fragilizado tudo fica conspirando pra coisa dar errado. Mas toda a sorte do mundo fez com que ela tivesse uma reao diferente da minha. Ao invs de jogar para dentro do pulmo, aos poucos a secreo se acumulou no estmago e como seu intestino estava praticamente parado acabou vomitando. Tal situao aconteceu por trs vezes. Logo depois a sensao do mais absoluto alvio e desintoxicao.
Daqui para frente temos como prioridade falar com as pessoas sobre tudo que aprendemos com essa experincia. De garantir as condies para a Dona Ins percorrer o caminho da recuperao de sua sade. Todos estamos torcendo para que o tabagismo no retorne ao seu cotidiano, j que queremos ela por todo tempo possvel em nosso cotidiano. Eu e meu irmo agradecemos a todos que nos ajudaram, em especial ao Dr. Ricardo Breigeiron, Dra. Laura Aita e a Dra. Carla Bochi. Ao Dr. Rafael que cuidou do perodo pr-operatrio e ao outro Dr. Rafael que cuidou do ps-operatrio. Ao Dr. Guilherme, que carinhosamente chamava de amigo imaginrio pela coin-cidncia dele aparecer sempre quando tinha que sair do quarto. Depois de uma semana de coincidncias suspeitei que o tal doutor no existia e passei a cham-lo de amigo imaginrio. s vsperas da sada do Hospital, a Dona Ins me apresentou a ele dizendo que esse era seu amigo imaginrio. Eu que, por um momento, suspeitei da existncia desse mdico misterioso que aparecia e desaparecia como um toque de mgica.
Um agradecimento a todos que nos ajudaram, a todos que se envolveram, a todos que torceram e, falo tambm, queles que torceram contra, j que ao vencer essa etapa percebemos que somos muito fortes. Registro para que todas as foras do universo conspirem pela justia e pelo equilbrio. Desejo que retorne para cada um o dobro da intensidade do sentimento a ns dispensado. Outra edio tinha escrito um pouco sobre a vida desta mulher e alguns leitores de minha confiana, antes mesmo da publicao, me alertaram sobre a agressividade daquelas palavras. Respondi dizendo que aquelas palavras retratavam a agressividade que aquelas pessoas nos ofertavam naquele momento difcil que estvamos vivendo. Esse momento passou e olhamos para frente com hbitos mais saudveis preservando, acima de tudo, a vontade de viver.