As notícias da comunidade esteiense.
JORNAL ECO DO SINOS
01/04/2013 - 17:12
Dona Ins sobrevive cirurgia e apresenta diagnstico de cura

09/03/2013 - 15:30
Nossa conexo est cada vez maior!

25/11/2012 - 15:36
A luz no fim do tnel, no exemplo de Milton

09/08/2012 - 10:01
Tarso apresenta Conselho Estadual de Comunicao sociedade civil

09/07/2012 - 21:00
A tica de Tarso deveria nos contaminar

14/05/2012 - 08:00
Onde habita o problema?

07/04/2012 - 16:55
Para no andar em crculos

29/03/2012 - 19:52
Pra ser feliz

12/03/2012 - 23:15
O ar realmente necessrio?

12/03/2012 - 23:05
Dia Internacional da Mulher

Anteriores


20/05/2012 - 22:19 Imprimir a not�cia
A mdia est na berlinda
Por Charles Scholl
Consultor de Comunicao Social


A crise da vez em nossa Repblica,
desencadeada pelas curiosas relaes do Senador Demstenes Torres com conhecidos con-traventores, aponta indcios da relao de grupos criminosos que promovem sistematicamente escndalos nacionais com fatos e fontes duvidosas. A prtica tem por objetivo combater adversrios em disputas empresariais e polticas. No epicentro do motor de gerao da instabilidade os meliantes se utilizam da Revista Veja, que foi reduzida a um folhetim poltico partidrio. Nesse meio, o contraventor Carlinhos Cachoeira se constituiu como o maior pauteiro da referida publicao da Editora Abril, sempre com o objetivo de eliminar a concorrncia para obter mais lucro para seus empreendimentos e promover polticos que se comportam como empregados representado os interesses corporativos da iniciativa privada no cerne do Poder Republicano representado no Congresso Nacional.

Mdia e poder
O assunto do poder concentrado da mdia passa a ter dimenses importantes quando nos damos conta de que falamos e compreendemos a realidade a partir de mecanismos informativos, que nos do a noo do que acontece em nossa cidade, de veculos que falam como pensam os gachos, como agem os brasileiros e os demais acontecimentos no mundo. A frase parece incua, bvia e desprovida de qualquer elemento retrico surpreendente. Porm, essa obviedade citada acima expe uma fragilidade que se torna especialmente perigosa se somada a falta de senso crtico sobre as publicaes. Ocorre que grande parte do que falamos no cotidiano so assuntos em que no tivemos uma relao direta com o fato ocorrido que estamos comentando. Isso o mesmo que dizer que nossas conversas so pautadas pelos veculos de comunicao, como jornais, rdio, televiso e, mais recentemente, a internet.
Em um sistema poltico e econmico dito democrtico, cidados sistematicamente so chamados para manifestar sua opinio acerca dos assuntos de interesse pblico, assim como decidem sobre o que consomem pelas ofertas que brotam em todos os lados. Com isso, podemos compreender que a opinio pblica tem grande fora e os veculos de comunicao possuem uma relao direta com a opinio pblica pela difuso de informao em larga escala. Grosseiramente temos nesta breve explanao uma sntese do poder da mdia.
Opinio Pblica & interesse privado
No epicentro da crise do momento est o meliante contraventor Carlinhos Cachoeira e seus asseclas, entre eles um senador que quase virou ministro do Supremo Tribunal Federal. Os principais fatos acerca do episdio em torno do Senador Demstenes Torres Ex-DEM esto recebendo ampla cobertura por parte da imprensa nacional, porm a relao escandalosa que envolve a Revista Veja como um instrumento ao servio dos grupos criminoso, tem sido ignorada pela Rede Globo e pelos veculos de maior tiragem no Pas. O assunto s foi importante na Rede Record, que neste caso demonstra no ter comprometimentos com a linha poltica adotada pela Editora Abril.
O caso est sendo muito bem abordado pela revista Carta Capital, lanada 9 de maio, que denuncia o movimento de Carlinhos Cachoeira e Demstenes Torres contra a cpula do PT personificada no ex-ministro Jos Dirceu. A reportagem descreve como as denncias sem sustentao serviam para acuar os adversrios de um esquema criminoso, desde a invaso ao hotel Naum, que tinha por objetivo plantar um escndalo nacional, at a campanha para levar Demstenes Torres ao Supremo Tribunal Federal. No se trata de questes do passado, mas de prticas muito atuais que tem objetivos nefastos de eliminar concorrncias, tal como ocorreu em 4 de junho do ano passado, quando Cachoeira recomenda a Claudio Abreu, diretor da Delta no Centro-Oeste, para passar informaes revista Veja sobre a licitao da BR-280 e sobre uma reunio que teria havido em Curitiba. Textualmente Abreu desponta o desafio de como derrubar a concorrncia para se beneficiar de 25% do negcio da obra. No se sabe ao certo o alcance da prtica nefasta, porm a Delta a empresa que mais ganhou licitaes para execuo de obras do PAC.

Espantoso e comum na nossa histria
A questo mdia e poder um tema argiloso para ser tratado no Brasil, mesmo depois do reestabelecimento da democracia. Estudei o assunto ao lado do Professor e pesquisador Antnio Fausto Neto. Aps muita prtica do exerccio da pesquisa, o trabalho de anlise dos contedos miditicos nos lembra uma psicanlise social. Para isso, fundamental a atuao de profissionais do meio que faam anlises crticas e a defesa da liberdade de expresso e da tica no exerccio do jornalismo. Essa anlise psicanaltica da sociedade qualifica a opinio pblica e contribui para a compreenso de que a liberdade de expresso e a tica no jornalismo so referncias para medir a sade democrtica de uma nao. A democratizao da comunicao um movimento poltico que pressiona o aprofundamento e a maturao dos processos democrticos do Pas. A revista Carta Capital sita o ObjETHOS Observatrio de tica Jornalstica, entidade criada pelo Professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Rogrio Christofoletti, que relata a dificuldade de manter limites na relao entre o jornalista e a fonte e afirma que o trabalho passa a adentrar em um terreno perigoso no momento em que compromete a credibilidade do relato.

Democratizao ou centralizao?
As ltimas duas, das nove pginas da reportagem foi dedicada a reproduzir um texto de David Puttnam, um Lorde do Partido Trabalhista que presidiu a Comisso Conjunta de Anlise Parlamentar para Lei de Comunicaes de 2003, que fala do autocrata Rupert Murdoch e seu filho que mantm as estratgias de sua famlia. A comparao do caso tupiniquim com os Lordes se d pela concentrao de poder como um caso comum e que est sendo enfrentado em todo o mundo como algo ruim sociedade. No Brasil, diria que Daniel Herz trouxe ao meio acadmico e popularizou a crtica da mdia como uma qualidade, principalmente com a edio de sua obra A histria secreta da Rede Globo, que rendeu o documentrio Muito alm do Cidado Kane, de Simom Hartog. Com a morte do diretor o documentrio ficou nas mos do produtor John Ellis, que em 2009 vendeu seus direitos autorais para a emissora do Bispo Edir Macedo, a Rede Record, por US$ 20 mil, numa estratgia de atacar a Rede Globo. Em seu livro, Herz traz superfcie em seus agradecimentos outras autoridades do assunto, como Adelmo Genro Filho, Tau Golin entre outros professores universitrios que se destacaram com suas anlises crticas. Hoje, penso que a principal referncia no movimento pela democratizao da comunicao o professor Pedro Osrio, que atualmente dirige a Fundao Piratini. Em sua atuao frente a fundao destaca-se a aquisio de 16 retransmissoras que esto sendo instaladas no Rio Grande do Sul, ofertando alternativa da TVE para 3,8 milhes de pessoas em solo gacho. Mas compreendo que ainda estamos distantes de dar a devida importncia pulverizao de veculos de comunicao, em contraponto as polticas de centralizao de poder, que no contribuem para a real emancipao cultural das pessoas, elemento fundamental da cidadania.